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Cinema e literatura

Laranja Mecânica - Resenha

09/12/2014 - Taíla Quadros
#Anthony Burgess #Editora Aleph #filme #Kubrick #livro #opinião #resenha

O livro sem fim... Calma aí, minha gente, não estou falando mal da obra, é apenas um desabafo pela quantidade de material extra disponível no exemplar que possuo. Um dos 455323456 livros que eu ganhei de aniversário foi a edição especial de 50 anos do livro Laranja Mecânica de Anthony Burgess.

 

Publicado pela primeira vez em 1962, o livro de Burgess desperta a discussão sobre a ultraviolência, o direito de escolha do ser humano e até que ponto o Estado (no sentido de entidade) pode avançar para preservar a lei e a ordem. Tão chocante quanto o filme dirigido por Kubrick em 1971 (que eu conheci antes do livro). Vamos para a sinopse da história para vocês entenderem um pouco mais...

 

SINOPSE: Ambientado em um futuro impreciso (mas não distante), Laranja Mecânica é a perturbadora confissão autobiográfica de Alex, líder de uma gangue adolescente que se reúne para cometer perversidades e atos de violência pelas ruas de uma metrópole decadente.
Após uma incursão malsucedida, Alex é capturado pela polícia. Na prisão, é submetido a uma experiência de reengenharia social desenvolvida para eliminar tendências criminosas, cuja finalidade é reeducá-lo psicológica e socialmente. Uma experiência extremamente dolorosa e tão desumana quanto a ultraviolência que o próprio Alex costumava praticar.
O resultado desse processo, bem como sua legitimidade, conduzem a reflexão magistralmente proposta por Burgess. Eleito pela revista Time um dos com melhores romances de língua inglesa do século 20, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da cultura pop ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.
Como o próprio Alex diria, “é uma história horrorshow, que vai te fazer smekar feito um bizummi ou trará vetustas lágrimas a seus glazis”.


Primeiramente, vocês entenderam a última frase da sinopse? Não vale procurar no Google :p Pois vejam bem, essa é a linguagem utilizada em TODO o livro, sim, eu disse TODO o livro. Isso particularmente foi uma dificuldade que eu encontrei e o que tornou a minha leitura mais lenta, pois, por mais que ao final do livro tenha um glossário das palavras utilizadas, é meio maçante ficar procurando e mentalizando esse dialeto. Nos extras temos a explicação de por que o autor criou esta forma de linguagem, mas mesmo assim achei que dificultou a leitura e compreensão de alguns momentos, você perde o pique tentando lembrar que raios significa toltchoks ou plotis ou tuflis. Acho que, após essa leitura, posso me considerar cult e sair cagand* regra de erudita por aí #sqn


Lindão, né! :D


A apresentação do livro é lindona! *.* Capa dura, sobre capa, papel top e ilustrações de caras foda: Dave McKean, Oscar Grillo e Angeli. Como eu já comentei, o livro possui diversos textos extras, como: glossário, informações sobre a adaptação para o português, contextualização da obra, artigos e entrevistas do autor e ainda algumas páginas de seus originais. O material é muito interessante e traz muitos elementos que contribuem bastante para a compreensão e absorção da história, além de fatos curiosos, como na entrevista transcrita onde Burgess diz que o Laranja Mecânica não é nem de longe o sua criação preferida, mesmo com toda a repercussão mundial.
E vocês sabiam que em muitos países o último capítulo foi excluído da história? Nem na Kubrick sabia deste capítulo, publicado somente em alguns países, quando fez a sua adaptação para o cinema. Pois bem, este exemplar possui sim o último capítulo e me sinto guardiã de um segredo a partir de agora. Ha-ha-ha e digo a vocês (sem spoilers) que a história pode ser vista de uma outra maneira agora...


 


Sobre o filme
Lançado em 1971, sob a produção e direção de Stanley Kubrick, a adaptação da obra para o cinema arrecadou mais de 26 milhões de dólares e recebeu diversas nomeações a prêmios, como Oscar para Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.


Alex no cinema


O resultado apresentado por Kubrick é muito parecido com o da obra original, exceto pela falta do último capítulo e a idade dos personagens, no livro Alex tem apenas 15 anos quando a história começa, já no cinema os membros da gangue são apresentados como mais velhos. A medida que li a história, consegui visualizar os personagens e a passagem de tempo do filme. Algumas situações foram omitidas, mas não se perde a ideia e essência do que o autor pretendia passar para o público. A versão cinematográfica foi o que realmente tornou a obra conhecida e admirada no mundo inteiro, levando, inclusive, muitas pessoas a pensar que a história foi escrita diretamente para o cinema.


Alex e sua gangue


Durante o tratamento realizado com Alex, a música (outrora sua grande paixão) também passou a fazer parte dos procedimentos, causando-lhe verdadeira repulsa ouvir música clássica. É um ponto bem interessante ver as atrocidades cometidas pelo jovem ao som de Beethoven. Trilha sonora rica e que muitos de nós desconhecem.


Como avaliação final, acredito que a leitura e o conhecimento de obras clássicas seja sempre enriquecedor. Como forma de lazer, não está entre as minhas escolhas habituais, mais conhecer outros estilos, principalmente que nos levam à reflexão e que são tão relevantes para a cultura mundial aumenta (e muito!) a nossa visão de mundo.

 

Laranja Mecânia - Anthony Burgess - 342 páginas - Editora Aleph
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