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A menina que roubava livros - Resenha

15/05/2018 - Taíla Quadros
#Editora Intrinseca #livro #opinião #resenha

SINOPSE: A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.

Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.

A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

 

Eu posso até demorar, mas vou ler todos os livros que ganho de presente, sim. :) Na época em que foi lançado o filme (2013) A menina que roubava livros fui ao cinema assistir e um tempo depois ganhei esse livro de aniversário.

 

Se eu me emocionei com o filme, imagine com o livro. A história, narrada pela Morte e seus encontro com a menina Liesel, ocorre no período da Segunda Guerra Mundial e Liesel teve que morar com uma família adotiva, devido ao envolvimento político de seus pais. Vemos a adaptação da menina em uma família muito humilde e como ela vai levando a vida. Na Alemanha nazista, em um bairro pobre, onde sempre as pessoas recebem primeiro as dificuldades. Pessoas ficando sem emprego, tendo que se submeter para tentar sobreviver com o mínimo de dignidade. Sempre baixando a cabeça, sempre em silêncio. Pais lutando contra sua consciência para proteger os filhos dos horrores da forma que podem.

 

É interessante ver as coisas com a visão de crianças alemãs que não entendiam muito bem o sentido de tudo o que estava acontecendo. Elas continuavam a ser crianças, apesar de tudo.

 

Esse livro, como tantas outras obras relacionadas a esses acontecimentos, me levou a pensar, como as pessoas ainda conseguem ter pensamentos de tanto ódio? Como despersonificam as outras pessoas de forma tão natual? Como aceitam a desumanização do "inimigo"? Não enxergando que todo mundo tem uma história, sonhos, amores e desejos para o futuro. A intolerância não pode ser o padrão, não podemos deixar que o ódio desenfreado tome conta de nós, domine nossas ações e nos deixe cegos diante da vida do próximo. Tantas coisas bonitas ficam para trás quando se escolhe o ódio, a divisão como caminho a ser seguido.

 

Lágrimas e mais lágrimas me acompanharam no decorrer dessa leitura. Já tinha visto o filme mas me desmanchei com o livro. Tanta coisa destruída. O que fica é a demonstração que somos resistentes, nos adaptamos e que sempre vai haver alguém forte o suficiente para levantar e tentar mais uma vez.

 

Me apeguei tanto nessa menina, da mesma forma que ela se agarrava nos livros, eles eram seus bens mais preciosos, e como ela passou a amar e odiar as palavras, entendendo o seu poder que levou tanta maldade para o mundo, mas também que as palavras boas podem ser semeadas e tornarem-se muito mais fortes.

 

A menina que roubava livros - Markus Zusak - 480 páginas - Editora Intrínseca

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