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Resenha sobre o livro A Casa das Sete Mulheres

18/08/2020 - Taíla Quadros
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Sinopse:

 

Durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) — uma luta dos latifundiários rio-grandenses contra o Império brasileiro —, o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, isolou as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito, com o propósito de protegê-las. A guerra que se esperava curta começou a se prolongar, e a vida daquelas sete mulheres confinadas na solidão do pampa começou a se transformar. A casa das sete mulheres conta o que não está nos livros de história sobre essa longa guerra civil do continente. Leticia Wierzchowski nos traz um exercício totalizador sobre a violência da guerra e sua influência sobre o destino de homens e de mulheres.

 

Resenha:

 

Quem aí não foi impactado de alguma forma pelo sucesso da minissérie A Casa das Sete Mulheres exibida pela Rede Globo em 2003 e reexibida em 2006. Eu, com meus 13, 14 anos na época não podia acompanhar todo o desenrolar da história, pois passava tarde e no outro dia tinha que levantar cedo para ir à escola. Cadê essa série no Globo Play, hein, Rede Globo?

 

Lembra delas?

 

Mas, mesmo não podendo ver todos os episódios, eu sabia do furor que a série estava causando, pelo menos aqui no Rio Grande do Sul. Depois de Érico Veríssimo, quem mais tinha nos apresentado a visão das mulheres em um cenário político totalmente dominado pelos homens?

 

Eu não vou negar que histórias de antigamente instigam muito a minha curiosidade, sou a louca das cidades velhas, de querer saber a história das construções antigas e fico sempre imaginando que pessoas passaram por onde a gente anda hoje? O que elas encontraram por aqui? Tantas vidas, tantos sentimentos e tanta coisa para ser contada que, quando me deparo com um livro como esse, eu mergulho com tudo e só saio quando terminar de reviver cada pedacinho do que eu li.

 

Eu conhecia a história graças à minissérie que falei ali em cima e já sabia que a história tinha origem de um livro. O que eu não sabia, era que a obra não é uma ficção total, essas mulheres existiram. Admito que nós estamos tão acostumados a não ter a participação das mulheres nos momentos históricos, salvo nesse caso por Anita Garibaldi que já conhecia das aulas de história pro ter feito parte da luta Farroupilha ao lado de Giuseppe.

 

Quando, nas primeiras páginas da obra estávamos falando de mulheres reais, o livro me ganhou. Claro que é um romance e estamos falando de ficção, mas sim baseada nas vidas dessas mulheres que realmente viveram a espera de 10 anos pela resolução dessa revolução e longe de seus pais, irmãos e entes queridos.

 

Acompanhamos a espera das mulheres Caetana Garcia Gonçalves da Silva (esposa de Bento Gonçalves) e sua filha Perpétua Garcia Gonçalves da Silva, Caetana possui outros filhos, mas o foco é na história das sete mulheres adultas da família. Ana Joaquina Gonçalves da Silva e Maria Gonçalves da Silva Ferreira são irmãs de Bento Gonçalves. Maria é mãe de Manuela, Rosário e Mariana.

 

Se para nós que estamos há alguns meses em casa (outros nem tanto) e com um amplo acesso à informação, podendo entrar em contato e saber notícias de quem amamos, já estamos sofrendo e muito, imagine como era antigamente. Raras formas de entretenimento, ainda mais as mulheres que ficavam em casa a maior parte do tempo, e pouquíssimas notícias do que estava acontecendo, já que se dependiam de cartas e de pessoas que estivessem indo para o rumo desejado fazer a entrega.

 

Por ser da elite gaúcha, a família de Bento Gonçalves ainda tinha seus privilégios, pois imagine se as famílias dos soldados e escravos que lutavam pela liberdade recebiam alguma notícia tão cedo.

 

Pois bem, falando de ficção, os romances vividos pelas jovens mulheres da família são mais pudicos do que vemos na minissérie, mas o amor consegue transpassar muitas das dificuldades impostas pela época e pelas circunstâncias e com sete mulheres em uma casa não tem como a gente não se envolver com as histórias, as dores, as perdas e as conquistas também, nem só de sofrimento é feita essa vida. Tem muitos momentos bonitos, de esperança, mas claro que temos muitas dúvidas e espera e como fundo de tudo isso, a Revolução Farroupilha que continua sendo contada e tem seus acontecimentos entrelaçados à vida dessas mulheres.

 

Confesso que deu muita vontade de ver a série completinha, mas cadê achar um streaminzinho na legalidade? É pedir muito?

 

Para quem quiser relembrar um pouquinho, nesse vídeo temos algumas das chamadas para TV. 

 

Você já assistiu a série ou leu o livro? Me conta nos comentários o que achou. :D

 

Sobre a autora:

 

Antes de se dedicar à escrita, Wierzchowski estudou arquitetura, foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil de seu pai. Enquanto trabalhava neste último emprego, começou a escrever ficção.

 

Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O anjo e o resto de nós, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul.

 

O grande sucesso literário de Letícia veio com o romance A casa das sete mulheres, adaptado pela Rede Globo numa minissérie que foi ao ar em 2003 e reexibida em 2006. Instigada por seus editores a escrever uma continuação da saga das sete mulheres gaúchas durante a Revolução Farroupilha e lançou Um farol no pampa, em que retoma a vida dos personagens da A casa das sete mulheres. E em 2017 a escritora encerrou a trilogia da A casa das sete mulheres com o romance Travessia: a história de amor de Anita e Giuseppe Garibaldi.

 

Letícia trabalhou em parceria com Tabajara Ruas, no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de Érico Veríssimo que originou o filme e minissérie O tempo e o vento com direção de Jayme Monjardim e Thiago Lacerda no papel do capitão Rodrigo Cambará, mesmo ator de Giuseppe Garibaldi na série A casa das sete mulheres.

 

A escritora tem livros publicados também em países como Alemanha, Croácia, Espanha, França, Grécia, Itália, Portugal entre outros.

 

Fonte: Wikipédia

 

A Casa das Sete Mulheres - Leticia Wierzchowski - 513 páginas - Editora Record

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