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Resenha sobre o livro Como fazer um ótimo trabalho sem ser um babaca

13/10/2020 - Taíla Quadros
#Como fazer um ótimo trabalho sem ser um babaca #criatividade #Editora Belas Letras #livro #Paul Woods #resenha

Sinopse:

 

Em muitas agências de publicidade e marketing, existe uma cultura perversa de que longas horas de trabalho sem descanso é o normal e apenas o preço que se paga para produzir excelentes resultados. Isso sem falar nos prazos insanos e nos colegas egomaníacos.

 

O problema é que esta cultura tóxica é inimiga da criatividade e, com maior responsabilidade e transparência na indústria – e mais opções para jovens talentos –, essa maneira insustentável de fazer negócios é uma bomba-relógio.Tendo passado por agências na Europa e nos Estados Unidos, Paul Woods ensina de maneira bem-humorada que é possível ter alta performance, trabalho duro e ao mesmo tempo uma equipe feliz.

 

Com fluxogramas, exercícios de autoanálise, dicas de produtividade, de planejamento de escopo e embasado pela metodologia ágil, Woods mostra que trabalhar madrugadas e finais de semana deve ser a exceção, e não a regra, e que ser legal é um ótimo negócio. Afinal, a sua função é fazer a sua equipe crescer, não o seu ego.

 

Este livro é para quem:

 

- Tem um chefe babaca e quer rir um pouco;

- É um babaca e caiu na real;

- Ainda não sabe que é um babaca e precisa que alguém lhe diga isso;

- Trabalha na indústria criativa (em especial em agências de comunicação, design e publicidade) e quer melhorar o ambiente e a cultura da empresa.

 

Resenha:

 

Sabe quando você lê um livro e consegue visualizar muitas, mas muitas mesmo, situações que você já viveu?

Isso pode acontecer com diferentes tipos de obras e em diferentes contextos. Em Como fazer um ótimo trabalho sem ser um babaca, Paul Woods nos traz a rotina de agência de publicidade da Europa e Estados Unidos e, incrivelmente, as semelhanças com o que vemos nas agências aqui do Brasil é engraçada e ao mesmo tempo, assustadora.

 

Paul divide a obra em diferentes áreas do trabalho das agências (e que costumam ser bem problemáticas) como:

- Egos: amigo, você não é o deus da publicidade, você é tão funcionário quanto eu.

- Reuniões: levar pet, falar do fim de semana e dar showzinho, não faz parte da pauta.

- Pitching: fazer trabalho de graça para ganhar concorrência?

- Planejamento de escopo: você sabe organizar com o cliente o que será feito?

- Briefing: sem briefing, sem trabalho. E não vale dizer: faz aí um textinho bem legal. :)

- Feedback: não é só dizer que o trabalho foi reprovado. Feedback não é isso, coleguinha.

- Apresentações: quem faz o job, apresenta o trabalho e não vale mandar por e-mail. Isso não é apresentação.

- Longas horas: trabalhar fora do horário sem ganhar nada não é glamouroso, é só exploração mesmo.

- Clientes: temos que aprender a alinha expectativas e não dizer sim para tudo, né?

- Contratação: atender clientes grandes não paga as suas contas, salários e vale-refeição, sim.

- Demissões: jeitinho humano, profissionalismo e muitos feedbacks verdadeiros.

 

Gente, todos os temas são muito relevantes e rola uma identificação do início ao fim da série “coisas que aconteceram comigo ou que vi acontecer com amigos e conhecidos”. O ambiente criativo sempre teve esse lado mais solto, mas ele acabou se perdendo em pessoas com egos inflados que não sabem trabalhar em equipe, fluxo de trabalho maluco onde ninguém sabe de nada e tudo tem que ser feito para ontem e remuneração sem plano de carreira ou qualquer norte que mostre crescimento e até onde você pode chegar (spoiler: geralmente você fica onde começou mesmo).

 

Muitos donos de agências se aproveitam dessa vibe mais descontraída para subtrair direitos trabalhistas básicos e substituí-los pelo dia do pet ou por pufes coloridos na empresa. Se isso paga as contas de alguém, me avisem. E muitos jovens estudantes ou recém-formados que nunca tiveram outra experiência profissional acabam acreditando que é assim mesmo.

 

Jovem, converse com pessoas de outras áreas sobre sua rotina e veja a surpresa dominar o olhar de quem tem bate ponto, recebe vale-transporte e jamais recebeu a proposta de ser contratado como Pessoa Jurídica para não ter nenhum direito e diminuir os custos do empregador. Você sabia que é só para isso que ser, né? Pois quero ver você chegar 5 minutos atrasado na empresa mesmo sendo seu próprio patrão.

 

Com uma linguagem bem descontraída, vários gráficos e ilustrações divertidíssimos e muitas dicas de como melhorar todos os pontos que citei acima, Como fazer um ótimo trabalho sem ser um babaca, traz um alívio e um pouco de crise de ansiedade para quem trabalha na área da criatividade perceber que não está sozinho e que devemos sim, exigir nossos direitos e procurar trabalhar com gestores corretos e inspiradores e, porque não, tornar-se um desses gestores?

 

O livro vem com vários brindezinhos marotos!


Sobre o autor:

 

Paul Woods é um designer premiado, escritor e ilustrador que mora em Los Angeles. Ele comanda as equipes de criação e de tecnologia na Edenspiekermann como diretor de criação, desenvolvendo produtos, marcas e trabalhos de design de serviços para clientes em setores diversos, como editorial, financeiro, de sustentabilidade e transporte.

 

Ao longo dos 15 anos como designer, Paul tem liderado projetos para empresas como Red Bull, Google, Morgan Stanley e Time Inc., entre outras. Defensor do poder centrado no usuário, Paul se concentra muito no usuário final em seu trabalho. Líder cuidadoso nos espaços de design e tecnologia, suas histórias aparecem regularmente em publicações como Fast Company, AdWeek e Communication Arts.

 

No tempo livre, Paul é ilustrador e fundador do site Adloids, do setor satírico. Ele mora em Pasadena com a mulher, Nora, e um basset hound bastante teimoso. Ele odeia texto escrito em terceira pessoa.

 

Fonte: Editora Belas Letras

 

Como fazer um ótimo trabalho sem ser um babaca – Paul Woods – 143 páginas - Editora Belas Letras

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