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Balanço de 2017

21/12/2017 - Taíla Quadros
#crônica #fim de ano #texto #texto da semana #texto de quinta #texto próprio

Perdi muita coisa esse ano e tive que me contentar com situações que não gostaria que acontecessem. Perdi pessoas importantes de diferentes maneiras. Perdi minha avó, me distanciei de pessoas que eu achava que eram minhas amigas, mas sempre tiveram os seus “amigos de verdade” em outras pessoas. Descobri que outros que eu achava que eram amigos, eram simplesmente nada, apenas uma fonte infindável de inveja e desamor.

 

Tive prejuízos materiais, vi minha mimi despedaçada, acordei um mês inteiro todas as madrugadas para limpar, cuidar, acalmar, dar remédio. Chorei muito por vê-la daquele jeito e não poder fazer mais nada, mas fiz o que pude para vê-la melhor. Aprendi com isso que, diferente do que já me disseram, sei amar, sei cuidar e faço isso do fundo do meu coração. Sou imensamente grata por ela estar recuperada, quase 100% de tudo aquilo. Minha companheirinha maluca de Netflix que adora se empoleirar por tudo, minha rainha, minha Dany.

 

E por falar em chorar, chorei sim, chorei muito. Chorei por me sentir tão pequena e impotente, por não conseguir fazer as coisas que eu quero, chorei pelos imprevistos e pelos desamores, que não foram poucos, e pela imensa solidão que sempre insiste em aparecer.

 

Não lembro direito como é um abraço apertado, um beijo apaixonado ou um carinho amoroso. Nada disso faz mais parte da minha vida. E, cada vez mais, tenho percebido como essa solidão é a minha vida, é o que eu sou. Estou aprendendo a aceitá-la, a conviver com ela. Nem sempre nos damos bem, mas temos andado bastante juntas. Alguns dias, numa boa e, em outros, com muita dor e vazio.

 

Uma dor sem lugar definido, mas que me derruba, me arrasa e me mostra tudo o que eu não tenho, tudo o que eu nunca vou ter ou ser. Uma dor que confirma tudo o que já disseram de mim em algum momento, que tira todo o meu valor, que mostra todas as minhas feridas, que deixa os meus machucados totalmente abertos, tudo o que estava escondido sob essa armadura. Essa dor me mostra o quanto eu sou sozinha e como não sou e nunca serei amada por ninguém. Por mais que eu queira, por mais que eu tente, por mais que eu me esforce, isso nunca vai ser meu. Só tenho que aceitar e repetir o mantra diário: só por hoje, só por mais um dia, você consegue.

 

Tive poucas coisas boas esse ano, além claro da abençoada existência, de corpo e mente funcionais, um teto, comida, roupas e uma ocupação. Isso é o essencial, não é? Mas será que a gente não poder querer uma pouco mais?

 

Agradeço imensamente a existência do Jon e da Dany que têm sido a minha maior companhia nos últimos tempos, por serem muitas vezes o motivo de eu não desistir de tudo. Que me ajudam a continuar por só mais um dia. Reconheço que eu preciso muito mais deles do que eles de mim.

 

Me decepcionei com muitas pessoas e em diferentes níveis e, talvez, a culpa tenha sido somente minha mesmo. Mas não tenho mais ânimo para ir atrás, para saber, para procurar. Por que sempre eu? Quando vão ser os outros que vão me procurar? Quando alguém vai dizer que sentiu a minha falta? Será que em algum dia alguém vai sentir?

 

As coisas boas nesse ano foram uma soma de ver o lado bom das coisas ruins e pensar que poderia ter sido pior. Passei por muitos momentos onde já não sabia  mais esperar pelo melhor, não conseguia mais sonhar, onde a fonte secou. Eu acabei, esvaziei.

 

Caí inúmeros tombos e continuei subindo aos poucos e as evoluções das coisas boas foram muito de formiguinha, mas sobrevivi. Não colhi os frutos que queria, por isso vou continuar a semear, de um jeito novo, de um jeito diferente. Sinto que esse é só o meio do caminho, temos muita estrada para percorrer, muito para viver e muito para acreditar.

 

Só por hoje, só por mais um dia, só por mais um ano, só por todos os anos.

 

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